Inspiring poems by Tetê Catalão, Mia Couto and Christina Rossetti

Inspiring poems by Tetê Catalão, Mia Couto and Christina Rossetti

Atestado de Óbvios
Tetê Catalão

Sempre haverá luz
que se atreva às trevas;
veredas, ar, lume outra vez
haverá quem elimine as travas,
ilumine, revelar.
Sempre haverá quem
se atreva à travessia,
ao atroz,
mesmo por um triz,
sempre haverá clarear,
trovão, luz, trevos, ternos, lema, motriz.
Sempre haverá quem
se atreva a ser feliz!

Poema da despedida
Mia Couto

Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal,
só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo

Poem of goodbye
Mia Couto

I will never know
how to say goodbye
Afterall,
only the dead know how to die.

Everything else remains,
only us cannot be.
Perhaps love,
at this moment,
is too soon.

What I wanted
is not this stillness,
this exile from everything,
this solitude from everyone.

Now
there is nothing left in me
that is mine,
and whenever I try
that meager invention of a dream,
all hell breaks loose in my mouth

No word
reaches the world, that I know.
And in spite of it all,
I write.

Tranlated by: JPO

Remember
Christina Rossetti

Remember me when I am gone away,
Gone far away into the silent land;
When you can no more hold me by the hand,
Nor I half turn to go yet turning stay.
Remember me when no more day by day
You tell me our future that you planned:
Only remember me; you understand
It will be late to counsel then or pray.
Yet if you should forget me for a while
And afterwards remember, do not grieve.
For if the darkness and corruption leave
A vestige of the thoughts that once I had,
Better by far you should forget and smile
Then that you should remember me and be sad.

Lembra
Christina Rossetti

Lembra de mim quando eu tiver partido,
Para bem longe no país do silêncio;
Quando você não mais puder segurar a minha mão,
E tampouco eu, já na partida, voltar atrás e ficar.
Lembra de mim quando no dia a dia já não for possível
Me contar sobre o nosso futuro que você planejou:
Apenas lembra de mim; você entende
Aí já será tarde para conselhos ou rezas.
E se por acaso se esquecer de mim por algum tempo
E depois se lembrar, não fica triste.
Pois se as trevas e a deterioração deixarem
Algum resquício dos pensamentos que um dia eu tive,
É bem melhor que você se esqueça e sorria
Do que se lembre de mim e fique triste.
(Tradução de JPO)